II
Meu anjo
Meu anjo tem o encanto, a maravilha
Da espontânea canção dos passarinhos;
Tem os seios tão alvos tão macios
Como o pelo sedoso dos arminhos.
Triste de noite da janela a vejo
E de seus lábios o gemido escuto.
É leve a criatura vaporosa
como frouxa a fumaça de um charuto
Parece até que sobra a fornte angélica
Um anjo lhe depôs a coroa e nimbo...
Formosa a vejo assim entre os meus sonhos
Mais bela a vapor do meu cachimbo
Como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso
Dá morte um desdém, num beijo da vida,
e celestes desmaios num sorriso!
Mas quis a minha sina que seu peito
Não batesse por mim nem um minuto,
E que ela fosse leviana e bela
Como a leve fumaça de um charuto