Home Data de criação : 07/07/29 Última atualização : 07/10/22 23:48 / 31 Artigos publicados
 

Blusa Branca do Reverso  escrito em sábado 13 outubro 2007 20:59

blusa

Ao longo dos nossos encontros no Teatro do Reverso fizemos vários exercícios de várias espécies, todos  - ao meu ver focando a essência das coisas(dos participantes, dos objetos, das máscaras, dos sons, das músicas). Apesar disso os resultados são diferentes.

Uma vez, fiz um exercício com um objeto branco. Estabeleci um contato visual com esse objeto por causa da sua cor brnaca. Como eu estava com os olhos envesgados não percebi que se tratava de uma blusa. Aos poucos foi me aproximando desse objeto/ser, até oder tocá-lo. E esse novo elemento - a textura da blusa - me causou outras sensações  que complementaram a já existente, ou seja, ao manipular o objeto/ser, foi como se ele se transformasse na extensão do meu corpo/ser. Os movimentos desse objeto/ser , remetiam aos movimentos do meu corpo/ser e vice-versa: movimentos leves, frenéticos circulares ou simplismente espalhado solto e lento. Numa tentativa de explicação, poderei dizer que foi meu corpo /ser fosse uma alga marinha e o objeto/ser fosse as ondas do mar, onde um interfere e atua com o outro.

Mas essa explicação não me é satisfatória, é apenas uma tentativa para não ficarmos somente no abstrato.

Num outro momento, fizemos exercícios que consistiam em nos mascarar com o figuirino. O processo para se chegar a isso era o mesmo exercício anterior: estabelecer um contato visual, dialogar com cores e formas, em seguida o toque e por fim vestir esse figurino. Nesse momento acontece sim um processo de mascaramento, e como se chegássemos um novo ser, através de todos esses elementos. É uma persona, é um ser mais definido, que caminha que se relaciona com os outros elementos da sala e que facilmente, podemos atribuir - lhe sentimentos e desejos.

Dessa forma, comparando esses dois momentos, percebo algo que é bastante instigante. No primeiro momento, houve efetivamente uma química entre os elementos , é  como se fato as energias se tocassem e formasse uma outra coisa/ser(por isso chamei de objeto/ser e ator/ser. Ser no sentido de essência). É como se tivéssemos duas gotinhas d'água que se aproximam chegou o momento que estavão tão atraídas uma pela outra, que uma puxou a outra e vice-versa, ocorreu a junção e formação dessa nova gotinha . O curioso e que essa coisa ser se transformou inexplicável e infindável. Eu enquanto atriz, no momento do exercício também não sei decifrar o que aconteceu efetivamente. Apenas segui impulsos que me pareciam impostos por essa junção de energias.

Já em relação ao segundo exercício, tudo parece ser mais definível, e cmo se chegasse um ser - e não que se formou um novo ser . O ser já existia, precisou apenas de condições para se manisfestar. Apropriou-se das energias(do ator dos objetos) para se materializar, mas não para existir , para se formar . As atitudes e movimentos eram impulsivos sim porém conhecidas e reconhecidas po mim, por serem mais próximas de um ser também conhecido e reconhecido.

Tenho a impressão, portanto, que no primeiro exercício o que era multi(ator, objeto,som, cores, etc), num dado momento tornou-se uno; no segundo exercício o que era multi tornou-se dois: ator e persona.

(Cíntia Abreu,03 de agosto de 2002)  

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